Título: Como identificar um estudante com altas habilidades de um estudante bem treinado pelos familiares e outros apoiadores?
1. Identificação e contexto
Nome do cursista: Claudia F. N. de Menezes
Escola/etapa de ensino/série/turma (preservando a identidade dos estudantes): SEEDF/ Primeiro Período do Ensino Infantil / Turma: D.
Breve caracterização do contexto escolar: Aluno do Primeiro Período do Ensino Infantil e outros pacientes adolescentes com esse quadro. O estudante estava situado em um contexto escolar de um bairro de alta classe de Brasília. A escola é muito bem equipada e com uma grande área de espaço livre e limpa, para desenvolver as suas habilidades e competências, apresentando um contexto mais silencioso a outras escolas. O horário das aulas era no período matutino. A sala de aula não é reduzida, tendo entre 20 a 26 alunos, com três crianças desfraldando.Justificativa da escolha do caso (por que esse estudante/turma/situação?) O aluno foi escolhido porque a criança apresentou vários comportamentos diferenciados de seus pares e no mundo atual. Ele foi aluno da Pré-escola do primeiro ano do Ensino Infantil em 2023, em uma sala que continha um grande quantitativo de alunos, entre 23 a 27 alunos.
2. Descrição do caso
Relato descritivo de um/a estudante, grupo ou situação que suscite reflexões sobre Altas Habilidades/Superdotação:
Segundo Rangni (2017), atualmente, as altas habilidades e a superdotação estão em fase de ameaça, devido a manipulação de informações e de contextos, além de concorrer com pessoas em treinamento, não apresentando tal perfil. As referências de altas habilidades estão sendo deturpadas por valores rasos, tal como influenciadores, que tem o grande poder de notoriedade social ou de pessoas que são copiadoras de informações, mas que tem um grande poder social de acesso. Outro fator que é uma ameaça para o grupo minoritário é o abafamento das capacidades dos estudantes com altas habilidades, para resolver questões de capacidades e de comportamento, para atender interesses pessoais de uns ou de certos grupos com maior poderio social, político ou econômico. Diante desse contexto, como qualquer outro grupo minoritário, é importante criar estratégias que protegem esses grupos que podem estar em processo de extinção e diluição, através de políticas adotadas em um país, tal como Brasil, que impedem de ter relacionamentos ou uma vida saudável.
Histórico escolar relevante, manifestações observadas (interesses, comportamentos, dificuldades enfrentadas, relação com os pares, com a escola, com os conteúdos etc.) A criança apresentou interesses diferenciados de outras crianças da sua idade, tanto comportamentais como intelectuais, mas era um criança muito silenciosa e introvertida, necessitando realizar intervenções para se expressar. Interesses: desenhar, pintar, ler, escrever e ouvir histórias.
Comportamentos: calmo, social, não tinha comportamento agressivo, introvertido e dócil. Dificuldades enfrentadas: dificuldade de se expressar e conversar com a professora e com os colegas. Era uma criança muito tímida. Relação com os pares: boa socialização, sem atritos, pois os colegas respeitavam o seu espaço e a sua singularidade. Com a escola: Gostava de estudar, não tinha queixa na realização de atividades ou com o ambiente escolar (colegas, comunidade escolar e professores).
Com os conteúdos: Ele era o único aluno que realizava todas atividades e tinha maior entendimento do que era solicitado. As suas atividades eram realizadas com capricho e tinha um diferencial na produção. Dados qualitativos observados no cotidiano (sem diagnósticos clínicos) Desenhos e atividades muito bem elaboradas, limpas e organizadas. É uma criança introvertida, uma característica muito comum nos superdotados e importante para a realização de atividade com mais engajamento, profundidade, entendimento, reflexão e elaboração como produto final. A maioria dos alunos realizam atividades com muita rapidez e com elaborações superficiais, devido a distração, falta de foco, falta de propósito e desinteresse, dando importância ao que não é relevante, como fofocas, conflitos, etc. O aluno era o único que já sabia escrever e ler sem auxílios, apresentando comportamento de independência. O aluno apresenta um comportamento diferenciado de outros alunos, tendo como características de ser mais maduro, colaborativo, empático, respeitoso pelo espaço alheio, além de ter mais entendimento das regras e do convívio social, sendo que a escola propiciava um bom contexto para o estudante manter esse comportamento (ambiente positivo, inclusiva e respeito a diversidade). Segundo a psicologia, um ambiente agressivo pode estimular a criança a desenvolver, temporariamente, comportamentos que não fazem parte do seu repertório até a criança ter o entendimento desse contexto para promover a mudança do seu comportamento de forma mais funcional. Diante desse contexto, era notado que a maioria dos alunos não apresentavam esses comportamentos, precisando de inúmeras repetições de orientações e combinados. O entendimento de regras e respeito eram muito bem aceitos e absorvidos sem apresentar problemas ou conflitos com a professora e com os estudantes. A criança tinha boas interações sociais com todos e com a comunidade escolar(professora e escola inclusiva), até com os agressivos, pois o contexto estava propício ao bom convívio, sendo que no Brasil, ocorre o boicote social para que eles não tenham espaço e notoriedade. Não tinha liderança altruísta, mas era uma criança altruísta. Tinha consciência de si próprio e do outro. Segundo os estudantes com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse (Brasil, 2008, p. 11).
3. Análise reflexiva
Relação entre o caso e os conceitos estudados no curso (ex.: modelos teóricos, identificação, mitos, práticas pedagógicas, diferenciação curricular, interseccionalidade etc.). No modelo de três anéis, o aluno apresentou habilidades acima da média em relação aos outros alunos, tendo grande envolvimento e engajamento por horas em atividades solicitadas na sala de aula e criatividade nas atividades solicitadas.
Reflexão crítica sobre os desafios enfrentados pelo estudante e pela escola:
O desafio maior é a escola entender que cada criança superdotada não é boa em tudo, podendo desenvolver mais em algumas áreas a outras áreas, que talvez ele não goste. Outro desafio é a escola esconder os alunos que têm esse perfil, por questões políticas ou até questões pessoais (inveja, ciúmes, competição predadora), que não sabemos da dimensão da problemática. Outro desafio que o aluno pode enfrentar é sofrer a manipulação de acesso de informações, de reforços e até restrições de acesso aos seus pares, sendo explorado por grupos comuns para serem alvo de bullying ou para receberem diagnósticos e ser mais um na multidão para manter a exploração. Outro desafio é do estudante sofrer expulsões ou exclusões quando apresentarem alto desempenho, fora da normalidade, no ambiente escolar, lazer, familiar ou profissional. Outro desafio é o estudante sofrer o boicote social ou tratamento diferenciado. Quando o estudante sofre o boicote social, o estudante pode ser visto como algoz ou passar as suas atividades criadoras e criativas para terceiros, ao invés de serem vistos como pessoas que contribuem para o social. Outra problemática é o tratamento diferenciado, sendo que o estudante é mais cobrado do que outros alunos, como uma punição por ter mais facilidades, assim dificultando o seu processo de aprendizagem e de acesso, fazendo o estudante passar pelos mesmos processos de sofrimento e dificuldades que um aluno comum ou com diagnóstico, teria ao realizar tal atividade. É evidente que um aluno com altas habilidades, com estímulos saudáveis e de acordo com a sua personalidade e interesses, pode conseguir algo em menos tempo de estudo ou trabalho e sem grandes esforços. Segundo pesquisas, é visualizado que a maioria dos alunos passam muitas horas e anos sendo treinados e estudando um assunto, eles têm acesso de informações privilegiadas para ter acesso às melhores vagas de trabalho e universidades, mas quando adentram para o mercado de trabalho, tornam-se em profissionais comuns, que não desenvolvem algo diferenciado que possam mudar o seu ecossistema de forma impactante e com propósito, então, vivemos em uma sociedade que está mais interessada em cumprir o script que a sociedade determina para as pessoas viverem e aceitarem sem grandes questionamentos. Diante desse contexto, é visível que os estudantes com altas habilidades são punidos e excluídos dos seus meios por ter essa facilidade de aquisição de conhecimentos, ressaltando os alunos com mais dificuldades de adaptação comportamental ou de aprendizagem, assim adotam o discurso de: Ele também consegue como você, a diferença é pouca! Você não é bom em tudo ou você não pode ter tudo!( Excesso de cobrança e foco nos pontos fracos). Ele se acha! Essas falas ditas pelo social são como uma humilhação para o público de altas habilidades, que ressaltam mais os alunos menos merecedores, mas muito bem treinados por promoverem a exclusão, excesso de cobrança, boicotes, tratamento diferenciado, etc.. Assim, esse contexto desmotivador incentiva um ambiente em que o bom aluno está errado e tem que sofrer mais e o aluno com menos competências e habilidades deve ser mais enaltecido com menos esforços e mais acessos, assim criamos uma cultura de privilégios, de menos esforço e de bullying. Hoje, a nova geração é chamada de geração mimimi ou geração nutella, que não sabe se frustrar, tendo inúmeras doenças psiquiátricas porque não sabem lidar com as próprias dificuldades, com a perda e com o sucesso do outro, necessitando de intervenções dos pais em todas atividades para ter um acesso mais facilitado, além de incentivar ataques sem éticas para excluir seus concorrentes, ao invés de promover a colaboração, o respeito pela propriedade intelectual do outro, a harmonia e a parceria.
Identificação de possibilidades e limites da prática docente diante do caso:
A prática docente não é estimulada para atender esse público, pois não tem treinamentos para todos. A questão política que limita a prática docente nas escolas. A seleção de professores para trabalhar com esse público é algo muito sério. É necessário selecionar profissionais que estejam interessados na evolução desse público e que saiba lidar com as diferenças excepcionais desses alunos, não levando para o lado pessoal que não atendam questões políticas de terceiros, como vingança, concorrência ( inveja de terceiros, familiares, ex, etc), promova limites para o estudante ficar desmotivado, incentive o uso medicação para entorpecer o aluno e deixar o aluno mais lento, misture o pessoal com o escolar, necessitando de profissionais neutro e equilibrados, pois muitos agem sem ética para atender questões políticas e até familiares de terceiros.
Considerações sobre políticas públicas, encaminhamentos e responsabilidades institucionais
No momento atual, o Brasil quase não tem políticas públicas e muitos recorrem a outros órgãos fora do país para serem reconhecidos e conseguirem ter uma vida normal. Os encaminhamentos são fraudulentos para beneficiar uma elite muito bem treinada que tem todos os acessos possíveis, do contrário, suprimem os verdadeiros alunos com altas habilidades para serem alvos de exploração intelectual, devido a poucos recursos financeiros de proteção, que a alta sociedade controla para que esse público não tenha e continue a exploração intelectual que favorecem seus filhos e outros públicos, dentro de ambientes altamente controlados por homens de poder.Em Brasília tem surgido algumas instituições que acolhem esse público ou os pais recorrem a terapeutas ou profissionais especializados para desenvolver as habilidades e competências desses alunos. A escola pública tem acolhido algumas crianças com esse perfil, através de avaliações do modelo três anéis, mas a política atual tem fechado muitas escolas que atendem esse público, como uma repreensão a essa minoria.
4. Proposta de intervenção
Propostas concretas, viáveis e contextualizadas de ação pedagógica ou institucional
Proposta: O professor e a gestão teriam que adotar medidas de separação de alunos( não estou falando de exclusão, estou propondo seleção de alunos para terem um atendimento condizente com o perfil do público) com comportamentos diferenciados, como uma de suas responsabilidades, para realizar atendimentos específicos com o aluno, professor e família, propondo um provável encaminhamento para órgãos ou equipes neutras e especializadas na avaliação a curto ou a longo prazo. Atualmente, os alunos, simplesmente, passam de ano a ano, não são escutados e nem cuidados. Por fim, os estudantes ficam desestimulados por um contexto que boicota e controla esses estudantes pelo meio social que vive e até pela comunidade escolar, para não ocorrer grandes evoluções diferenciadas da maioria. Outros contextos adotam estratégias, como a exclusão, quando perdem o controle intelectual desse estudante, ou tentam igualar o conhecimento com toda a comunidade como algo comum e padronizado, passando a impressão que todos sabem fazer aquilo, sendo que nunca fizeram algo semelhante. Assim, muitos desses alunos, podem ter o destino para a psiquiatria e serem tachados como loucos e nunca mais se encontrarem, sendo mais um na multidão, que é uma ótima estratégia para a concorrência. Assim, o país pode perder pessoas importantes que seriam grande fator de mudança e de evolução social, por causa do ego e da ganância de uns. Outra proposta é que a identificação desses alunos deveriam estimular o investimento e o acessos desses alunos, em ambientes mais equilibrados para realizar um trabalho concreto em prol a si próprio e ao social.
Estratégias de enriquecimento curricular, flexibilização, mediação diferenciada, escuta ativa etc.
Primeira estratégia: Realizar avaliação, permitir que avance de ano e que possa até frequentar universidades, caso o aluno queira e se sinta bem emocionalmente em lidar com a situação.
Segunda estratégia: Proteção do público quando são alvos de bullying e exploração intelectual para favorecer a elite que gosta de mão de obra barata.
Terceira estratégia: Incluir na estrutura curricular atividades que sejam do seu interesse, podendo escolher as atividades a serem desenvolvidas e solicitar que desenvolvam pequenos projetos de acordo com a maturidade do aluno.
Quarta estratégia: realocar os alunos em salas de aulas (em alguns centros de cada RA) que tenham professores e equipes treinadas e focadas nesse público, com alunos com perfis semelhantes e sala reduzida, para evitar conflitos e propiciar ambiente que o aluno consiga evoluir mais e não ser constantemente agredido pelos pares que não compreende a situação do aluno diferenciado, ressaltando que agressividade a esse público feminino é grande, desde lixamento disfarçado, invasão da privacidade até o feminicídio, para obtenção de informações, concorrência ou exploração. Aqui não estou estimulando a exclusão e sim proteção, ressaltando que a violência no Brasil é muito grande contra esse público e contra a mulher, etc..
Quinta estratégia: Reuniões, palestras e terapias coletivas com o aluno e família, para escuta, além de realizar estratégias conjuntas, acompanhamentos, organização de rotinas e interesses, tanto na escola como em casa.
Sexta estratégia: Selecionar professores e terapeutas éticos, equilibrados, profissionais, que saibam lidar com a situação e queiram contribuir, não expondo o aluno ao ridículo, ao estresse, ao ambiente agressivo ou à padronização.
Sétima estratégia: Todo ano, a escola deveria fazer um levantamento de todas as séries e em todas as escolas, desde dos primeiros anos iniciais, para a verificação de possíveis AH/SH que necessitem de atendimento para que não sejam alvos do uso de medicamentos de forma desonesta.
Sugestão de articulação com a gestão escolar e/ou rede de apoio (AEE-AH/SD, SOE, famílias etc.)
A escola e a rede de apoio deveriam realizar acordos e parcerias para propor a realização de reuniões, palestras e terapias coletivas ou individuais com o aluno e família, para escuta, além de realizar estratégias conjuntas, acompanhamentos, organização de rotinas, metas e desenvolvimento de interesses, tanto na escola como em casa. É necessário propor incentivos para que os pais associam seus filhos nas instituições credenciadas às AH/SD.
5. Considerações finais
Síntese do aprendizado gerado pela reflexão
Aberturas para novas ações e formações futuras
Ao adentrar mais no assunto que tenho estudado e pesquisado, desde a época de estudante e aluna da psicologia e, atualmente, como profissional da psicologia e da pedagogia, comecei a analisar as estratégias e como os contextos agem e manipulam as informações que afetam esse público, tanto no consumo cultural de sites, livros, filmes, como aprendizados em curso e na sala de aula, além de ter tido experiências terapêuticas com esse público, dentro de atendimento clínicos de psicologia. O curso foi de grande importância e aprendizados ao perceber a evolução e a existência de outras abordagens nessa área, aumentando mais ainda o meu interesse pelo assunto ao perceber a relação do QI com a criatividade. Assim, é importante ressaltar a criação de uma rede entre escola-família-aluno-rede de apoio-órgãos externos e internacionais para a proteção desse grupo minoritário que tem sido desperdiçado na sociedade brasileira para favorecer grupos que são soberbos, imaturos, debochados, corruptos e fazem mau uso do dinheiro público e privado para benefício próprio ou de seu próprio grupo, com o mínimo de esforço, deixando a população e a educação na precariedade, enquanto seus filhos estudam no exterior ou roubam ideias alheias para enriquecerem suas pequenas comunidades. Enfim, precisamos de políticas públicas de proteção, pois a informação em mãos erradas e grupos manipuladores/predadores é um grande estrago social que interrompe o benefício ou a evolução social, além de apagar o que realmente está fazendo a diferença, desperdiçando e desmotivando essa minoria.
6. Referências
RANGNI, Rosemeire. Altas Habilidades/Superdotação – Temas para pesquisa e discussão, 2017, São Carlos, EduFSCar.OSHIMA, Flávia. O Brasil desperdiça seus talentos. Época | Vida. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2021/06/15/busca-por-alunos-de-altas-habilidades-em-escolas-publicas-tenta-evitar-o-desperdicio-de-talentos.ghtml. Acesso em: 24, maio e 2025.PORTAL DA CÂMARA DOS DEPUTADOS. Especialista critica “invisibilidade” de alunos superdotados. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/403166-ESPECIALISTA-CRITICA-INVISIBILIDADE-DE-ALUNOS-SUPERDOTADOS . Acesso em: 24, maio de 2025.ALENCAR, E. M. L. S.; FLEITH, D. S. Superdotados: determinantes, educação e ajustamento. 2. ed. São Paulo: EPU, 2001.











